Saberes em mutação. Reflexões críticas sobre as derivas da história e das ciências sociais em África
O Centro de História da Universidade de Lisboa e o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa promovem, entre os dias 15 e 17 de junho de 2026, o Saberes em mutação. Reflexões críticas sobre as derivas da história e das ciências sociais em África em colaboração com o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia e a UNICV, tendo como parceiros o Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília e o Laborátório de Antropologia Prospectiva da Universidade Católica de Louvain-la Neuve.
O objetivo deste evento é o de aprofundar reflexões críticas sobre as práticas da história e das ciências sociais em torno da África e dos processos recentes de (re)construção das sociedades e entidades políticas africanas.
Desde há décadas, a produção de saber, a escrita da história, a ponderação da respetiva valia política vem motivando académicos de várias escolas, sensibilidades, enquadramentos institucionais e origens.
Na sequência de eventos realizados na UNICV – Colóquio Internacional Ciências Sociais e Disrupções Globais. Desafios, reposicionamentos e possibilidades de novas respostas, em 2021 – e na UFBA – História da África em português: convergências e divergências, em 2025 –, propõe-se a conexão dos saberes sobre a História da África, bem como das demais ciências humanas e sociais, produzidos por investigadores cuja afinidade decorre da conexão de objetos de investigação e do interesse na valorização da reflexão crítica a propósito do continente africano.
O saber tem a sua própria agenda, mas não se escusa ao balanço da sua pertinência a partir do diálogo com as sociedades. Nesse sentido, esperamos receber propostas que ponderem sobre as problemáticas da construção do saber e suas relações com as derivas históricas, sociais, políticas e culturais de cada sociedade ou entidade política. Procurar-se-ão perspetivas comparativas que promovam a reflexão crítica a partir da História e das Ciências Sociais, visando contribuir para o mais amplo e profundo conhecimento sobre África produzida em língua portuguesa. Além do cotejo das várias sensibilidades, escolas e perspetivas – distintas em razão da história, mas também das atuais redes de inserção políticas e sociais, espera-se o ensaio de pontos de situação sobre os conhecimentos produzidos academicamente, realçando o que possam ter de comum ou similar e o que os distingue e, quiçá, aparta inexoravelmente.